“— Será que você pode me ligar?
— Mas não tenho assunto.
— Não, não estou falando do telefone.
— Está falando do que então?
— Agora do telefone.
— Mas você disse qu…
— Não importa o que eu disse, o que vou dizer, ou o que você espera que eu diga. Apenas me ligue.
— Você está confusa hoje.
— A dias.
— Confusa?
— Amando.
— Me passe seu número.
— Coração não tem número.
— Coração?
— Sim, coração sentimento, dor, alma, nada conta.
— Me explica isso direito.
— Não.
— Custa me explicar?
— Depende da tarifa interurbana.
— Então voltamos para o telefone?
— Não, nunca ouve um.
— Qual é a da tarifa então?
— É só o amor, distante.
— Mas, você ainda quer que eu te ligue?
—(Sim, liga pro coração, liga pro meu amor, me ama, liga pra mim, me ama, me ama, me ama.) Não, estou sem telefone.”